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LEGIONELLA E AR CONDICIONADO

Legionella e ar-condicionado: entenda a relação com climatização, manutenção e PMOC

Quando pensamos em climatização, normalmente associamos o sistema ao conforto térmico. Porém, dependendo das características da instalação, sua operação e manutenção também estão relacionadas à qualidade do ambiente e ao controle de riscos que nem sempre são visíveis no dia a dia.

Um desses riscos envolve a Legionella, bactéria que ganhou novamente destaque após casos da doença dos legionários registrados em Nova York.

O episódio reforça a importância da manutenção, do controle e da gestão técnica dos sistemas de climatização, especialmente em instalações que possuem sistemas de água associados.

O que é a Legionella?

Legionella é um gênero de bactéria encontrado em ambientes aquáticos que pode se tornar um problema quando encontra condições favoráveis para sua multiplicação em sistemas artificiais de água.

A transmissão pode ocorrer quando água contaminada é transformada em pequenas gotículas, os chamados aerossóis, que são inaladas.

A bactéria pode causar a doença dos legionários, uma forma de pneumonia que pode apresentar maior gravidade principalmente em pessoas mais vulneráveis.

Qual é a relação entre Legionella e ar-condicionado?

É importante esclarecer um ponto: não é correto afirmar que todo aparelho de ar-condicionado apresenta risco de Legionella.

A preocupação está principalmente relacionada a sistemas que possuem água, condições favoráveis à proliferação da bactéria e possibilidade de geração de aerossóis.

Um exemplo são as torres de resfriamento utilizadas em determinados sistemas centralizados de climatização e processos industriais.

Essas torres utilizam água para remover calor e podem liberar pequenas gotículas no ambiente. Caso a água esteja contaminada com Legionella, essas gotículas podem contribuir para a dispersão da bactéria.

Por isso, um aparelho split convencional e uma instalação de climatização que utiliza torre de resfriamento não devem ser tratados como se apresentassem o mesmo tipo de risco.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), aparelhos residenciais convencionais de ar-condicionado não utilizam água para realizar o resfriamento e, portanto, não apresentam o mesmo mecanismo de crescimento e dispersão de Legionella associado às torres de resfriamento.

O que aconteceu em Nova York?

Em 2026, um surto da doença dos legionários em Nova York chamou novamente a atenção para o tema.

O episódio ganhou repercussão internacional e colocou as torres de resfriamento e o controle da Legionella novamente em evidência.

A situação reforça uma questão importante: determinados sistemas de climatização possuem características e riscos específicos que precisam ser considerados em sua operação e manutenção.

Mais do que relacionar o caso simplesmente ao “ar-condicionado”, é necessário compreender o tipo de instalação envolvida e os mecanismos que podem favorecer a proliferação e dispersão da bactéria.

E os aparelhos de ar-condicionado comuns?

Mesmo que aparelhos convencionais, como os sistemas split, não apresentem o mesmo mecanismo de risco de Legionella relacionado às torres de resfriamento, isso não significa que sua manutenção possa ser negligenciada.

Filtros, serpentinas, bandejas de condensado e demais componentes precisam permanecer em condições adequadas de limpeza, manutenção, operação e controle.

A Portaria GM/MS nº 3.523/1998 estabelece, entre outras medidas, a necessidade de manter limpos componentes dos sistemas de climatização, como bandejas, serpentinas, umidificadores, ventiladores e dutos, buscando evitar a difusão ou multiplicação de agentes nocivos à saúde e preservar a qualidade do ar interior.

Portanto, a discussão sobre Legionella também serve para chamar atenção para um tema mais amplo: a importância da gestão adequada dos sistemas de climatização e da qualidade do ambiente climatizado.

Onde entra o PMOC?

No Brasil, a Lei nº 13.589/2018 determina que todos os edifícios de uso público e coletivo que possuem ambientes climatizados artificialmente devem dispor de Plano de Manutenção, Operação e Controle — PMOC dos respectivos sistemas de climatização.

A própria lei estabelece que o PMOC tem como objetivo a eliminação ou minimização de riscos potenciais à saúde dos ocupantes.

Na prática, o PMOC permite estruturar e documentar a gestão da climatização, contemplando aspectos como:

  • identificação e inventário dos equipamentos;
  • atividades de manutenção necessárias;
  • periodicidades;
  • registros das intervenções realizadas;
  • acompanhamento das condições dos equipamentos;
  • planejamento das atividades;
  • definição das responsabilidades envolvidas na manutenção e no controle do sistema.

Portanto, PMOC não deve ser encarado apenas como um documento elaborado para permanecer arquivado.

Ele faz parte de um processo contínuo de manutenção, acompanhamento e gestão da climatização.

PMOC previne Legionella?

É importante fazer essa distinção.

Não é correto afirmar que possuir um PMOC, isoladamente, garante a prevenção da Legionella.

O controle da bactéria em sistemas suscetíveis, como torres de resfriamento, envolve medidas específicas relacionadas às características da instalação, à qualidade e ao tratamento da água, à operação, limpeza, manutenção e aos procedimentos técnicos aplicáveis.

O CDC destaca fatores como biofilme, sedimentos, temperatura da água, tempo de permanência da água no sistema e níveis de desinfetante entre os elementos que podem influenciar a proliferação da bactéria em torres de resfriamento.

O PMOC, por sua vez, integra a gestão da manutenção e operação dos sistemas de climatização e deve considerar as características específicas de cada instalação.

O que uma empresa deve avaliar?

O primeiro passo é conhecer o próprio sistema de climatização.

É importante identificar quais equipamentos estão instalados, suas características, capacidades, condições de operação e quais procedimentos de manutenção são necessários.

A empresa também deve verificar se existe:

PMOC atualizado → cronograma de manutenção → registros das intervenções → acompanhamento das atividades → responsabilidades definidas.

Sistemas mais complexos podem exigir controles adicionais e procedimentos específicos de acordo com suas características, aplicação e requisitos técnicos e sanitários aplicáveis.

Climatização precisa ser gerenciada

Casos envolvendo Legionella reforçam que a gestão de determinados sistemas de climatização vai muito além do conforto térmico.

Existe engenharia, manutenção, planejamento, acompanhamento e responsabilidade envolvidos na operação dessas instalações.

Para empresas, estabelecimentos e gestores prediais, conhecer o sistema instalado e manter os procedimentos e registros organizados é parte importante de uma gestão adequada da climatização.

Sua empresa possui PMOC?

A Volante Engenharia Mecânica atua na gestão de sistemas de climatização e PMOC, auxiliando empresas na organização do inventário dos equipamentos, planejamento das atividades de manutenção, acompanhamento técnico e documentação do sistema.

Volante Engenharia Mecânica
Engenharia de Climatização • PMOC
Responsabilidade Técnica em Engenharia Mecânica

Referências

BRASIL. Lei nº 13.589, de 4 de janeiro de 2018. Dispõe sobre a manutenção de instalações e equipamentos de sistemas de climatização de ambientes.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS nº 3.523, de 28 de agosto de 1998. Regulamento técnico referente aos procedimentos de limpeza, manutenção, operação e controle dos sistemas de climatização.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). How Legionella Spreads. Informações sobre fontes, crescimento e formas de exposição à bactéria Legionella.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Controlling Legionella in Cooling Towers. Orientações técnicas para controle da Legionella em torres de resfriamento.

RECORD / FALA BRASIL. Surto de doença respiratória deixa dois mortos em Nova York, nos Estados Unidos. Reportagem publicada em 20 de julho de 2026.

Conteúdo de caráter informativo. As necessidades de manutenção, controle e responsabilidade técnica devem ser avaliadas conforme as características de cada instalação e a legislação aplicável.

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